despadroniza.

basicbreakfast

Um dia, porque optei dar uma terceira oportunidade a alguém em vez de ignorar essa pessoa, apaixonei-me, e mudei a minha vida.
Um dia, porque escolhi não me entregar algo por medo, também mudei a minha vida.
Um dia, porque optei por pegar num livro de cozinha e fazer um esparguete à bolonhesa, mudei o meu corpo e toda a minha vida.
Um dia, porque optei ficar na escola em vez de ir para casa, conversei com alguém e mudei a minha vida.
Um dia, porque optei por me expôr tal como sou, com todos os medos e vulnerabilidades, mudei minha vida.
Um dia, porque escolhi fazer um telefonema em vez de ficar parada, mudei a minha vida.
E todos os dias poderia começar e terminar uma frase assim.

Quebra o padrão. Um bocadinho só. É que, sabes, se todos os dias te levantares rabugento porque te deixaste dormir, nunca vais conhecer a sensação de sentir que o dia se estende por teres acordado uma hora antes do normal e tudo aquilo que consegues fazer com esse tempo, e conhecer o prazer de, ao acordar, a primeira coisa que fazes ser sorrir, sentir o cheiro de sono da pessoa que amas e dar-lhe um beijo.

Se lavares os dentes e passares a toalha pelo corpo da mesma maneira, nunca vais perceber a imensidão de coisas rotineiras que fazes de forma automática e inconsciente - e se isso acontece com coisas tão banais, imagina com os teus pensamentos!. Se te sentares no mesmo lugar da mesa ao pequeno-almoço, nunca vais perceber que a tua cozinha quase que parece outra, vista dessa perspectiva.

Se deres aquele bom dia sem olhar nos olhos ao senhor do autocarro, nunca vais sentir o calor de te retribuírem um sorriso sincero só por teres oferecido o teu.

Se deres sempre aquele Olá apressado e sorriso amarelo ao teu colega de trabalho, nunca vais ter a oportunidade da conversa se desenvolver e de descobrir ali um grande amigo.
Se almoçares todos os dias na cantina escura da tua escola, nunca vais descobrir que apanhares 15 minutos de sol no jardim a 5 minutos daí, vale mais que 1 hora de descanso.

Se fores exactamente pelo mesmo caminho a pé de volta para casa, e enquanto fazes isso ires de olhos postrados no telemóvel a planear o que vais fazer no fim-de-semana, nunca irás usufruir da serendipidade existente em outros caminhos.

Se fizeres a mesma série de sempre no ginásio, nunca te vais aperceber que no mesmo dia à mesma hora acontece uma aula daquela actividade que sempre sonhaste fazer.

Se sempre que chegares a casa e vires três episódios seguidos de uma série que nem te interessa assim tanto para desligar a cabeça, nunca vais descobrir o prazer interno de estares só contigo mesmo e de mergulhares internamente na experiência do teu dia, das tuas emoções, dos teus desejos e das tuas necessidades.

Se jantares sempre a mesma massa com feijão, nunca irás descobrir o impacto que uma refeição leve tem no teu sono.

E se a última coisa que fizeres antes de dormir for viver a vida das outras pessoas através daquilo que elas te querem fazer crer que é a vida delas, nunca irás colocar o telefone de lado e começar a acreditar que podes criar e a tua vida com os teus pensamentos, as tuas decisões, as tuas próprias mãos, as tuas ações.

Então quebra o padrão. Pensa no que podes ganhar.