tudo meu e só meu

birds eye

Às vezes o que escrevo parece-me bastante obsoleto, vazio de conteúdo, de novidade. Em última análise, que tenho eu a acrescentar a não ser a minha visão das coisas? As mudanças de paradigmas que vou vivenciando, os desafios, as dores de crescimento, os discernimentos e constatações. É tudo meu e só meu.

Já aprendido antes, entendido,lido em algum lado, num livro, numa daquelas frases do instagram com imagens bonitas e empáticas, em alguma legenda de filme, escutado de muitas bocas sábias de quem me é próximo e de quem pouco conheço, uma e duas e mais de dez vezes. Mas quando a dor é a minha, quando o presente é o meu, quando as emoções partem do meu corpo, a pele de galinha, as lágrimas diárias e o estômago aos trambolhões, aí sim, tudo passa a ser meu.

É aí que, se tivermos consciência e um bocadinho de sorte, aquele terço do karma que não nos pertence jogar a nosso favor, acontece a mudança, o discernimento, o corpo cresce e o coração aumenta.
E até isto parece obsoleto de se dizer. A questão é que o conteúdo interessa muito, mas por vezes é até a forma que verdadeiramente interessa, é ela que faz as palavras ressoarem em nós. Afinal de contas, ensinar a contar pode ser feito de tantas maneiras, tal como um Amo-te pode ser dito de tantas, tantas maneiras. Depende só de nós e do outro. De mim e de ti. E há tantas, tantas maneiras de receber um Amo-te.
Se todas aquelas sábias bocas e linhas de texto não tivessem entrado por mim adentro, se não fossem reverberando a pouco e pouco, e pouco, esse crescimento demoraria muito mais.

Então falo. É o que me resta: falar, partilhar, uma tentativa de (me) cativar. É isto que sinto que tenho, que preciso e que quero fazer: falar por mim, à minha maneira.