o quarto

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Às vezes é preciso arrumar o quarto.
Primeiro retirar tudo tudo tudo o que está nele. Dos móveis, alguns móveis até, do armário, das gavetas. Retirar os cortinados, os lençóis e o colchão.
Depois deixar arejar, aspirar, lavar chão, janelas, paredes. Tirar o pó.
Tirar alguns pregos que ficaram na parede das molduras que seguravam. Passar massa e pintar. Arranjar gavetas e portas de armários.
Repensar numa nova ordem das coisa. Na cama de frente para a janela, a secretária de lado, retirar duas prateleiras, por a lavar a cortina que está meio amarela.
Depois, pouco a pouco, com uma boa música até a acompanhar, com o tempo que tiver de levar, voltar a colocar as coisas, uma a uma. Substituir as que já estão velhas por novas e que ressoem contigo. Reutilizar algumas coisas boas, úteis, bonitas, que estavam debaixo da cama cheias de pó. E deitar fora outras que são usadas todos os dias mas que na verdade estão velhas, gastas, obsoletas. Descartar o que já não serve. E deixar o mínimo essencial que um quarto deve ter. Um mínimo que é o suficiente. Um mínimo que faça todo ele sentido.
Mas o quarto tem de ser teu.