palavras

caminho

O grande limite da palavra é a infinidade de definições que vão para além do dicionário. Um chapéu é um chapéu. Uma mesa é uma mesa. Um pássaro é um pássaro. Voar é voar (será?). Mas se me perguntares o que é amor, a única certeza que te posso dar é de que a minha resposta seria diferente da tua, provavelmente seria até diferente da resposta que eu própria daria há 10 anos atrás, há 9 meses atrás, há 1 dia atrás. Aliás, dar-te-ia outra certeza, a de que uma parte da resposta é abrangida pela palavra, mas o resto é sentida, e vai para além dela.

Então é bom ter a percepção disso, porque às vezes falamos muito, bem além do necessário, a tentar colmatar essa parte que só se sente, quando a única coisa que faz sentido é, passo a redundância, senti-la, e fazê-la ser-se sentida. É louco. Eu falo de amor e tu falas de amor quando na verdade estamos a falar de coisas bem diferentes. É louco porque em ocasiões muito raras e especiais acontece encontrar alguém com quem estamos a falar exactamente a mesma coisa. E muitas vezes não sabemos distinguir as duas.
E quem fala de amor fala do medo, da coragem, da leveza, da beleza, da tristeza, de poder, de conexão.

E é importante, muito importante sabermos isto porque partindo do princípio que não há certo nem errado, que a minha verdade é tão certa como a tua, e que a nossa caixinha deve estar sempre aberta e o nosso copo vazio para o poder encher sem medos, ao mesmo tempo não podes nem deves viver mais nenhuma que não a tua verdade, aquela que não precisa de palavras, só de uma obstinada certeza e conforto no peito, na barriga, no sangue e nas mãos, uma certeza obstinada de quem sabe que sente o que sente, e que tudo o que construir será a partir daí.